Conversa refletiva
Há essa menina. Mas o
que escrevo não é para ela, e sim para mim. Porém o motivo de eu estar
escrevendo isso é ela.
Falo comigo mesmo mais
uma vez, como tantas vezes antes. No começo não havia conversa, eu apenas
seguia o caminho que se estendia a minha frente. Depois de algumas curvas
inesperadas e de ser jogado fora da estrada, comecei a me preparar antes de
enfrentar esses caminhos que se mostravam diante de mim.
Converso comigo mesmo.
Não há palavras sendo lançadas, empurradas ou enviadas. Tudo que há são apenas
alguns sons inaudíveis e pensamentos passados que me fazem refletir se vale a
pena fazer algo a não ser o fazer nada. Eu fico me olhando e imaginando se
dessa vez não vai acontecer o mesmo que antes. Se dessa vez eu não vou meter a
cara no para-brisas ou ser sufocado pelo cinto de segurança.
Vale a pena pôr o pé
nessa rodovia desconhecida (mais uma vez) por ela? Não sei, eu não a conheço
direito. Se eu a quiser conhecer, eu terei que começar a trilhar essa estrada,
mas se eu não a trilhar, eu não vou conhecê-la. É melhor sentir nada estando
quieto, ou sentir alguma coisa estando descendo colina a baixo?
Converso comigo mesmo.
Você deve fazer isso?, me pergunto. A resposta que obtenho é apenas um olhar. O
meu olhar. Não sei se vale a pena. Nunca sei se vale a pena, por isso tenho que
ir lá e tentar ver se vale a pena. Sempre acabo fora da estrada, rodopiando
feito a terra em torno do sol. Volto para mim com a cabeça baixa, apenas para
receber um olhar de mim mesmo.
Não sei quem você é, e
nem o que você pode fazer comigo. A culpa é minha por ter desejado essa
estrada, mas também é sua por tê-la depositado em frente de mim. O que for que
aconteça será por nossa conta. A culpa não vai ser minha, a culpa não vai ser
sua. Se eu rodar na estrada, ou bater, ou descer a colina, será tudo por mim.
Porém, não reclame, se na sua estrada ficar marcas de pneus e o cheiro de
queimado.
Para você, o motivo.
Escrito por mim, o
resultado.
Gabriel Rodrigues
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