Contos das Terras Chamuscadas: O nascimento de uma nova rainha
Que bela noite! E teriam dito exatamente a mesma coisa se estivessem olhando para cima (e com certeza estariam) no dia em que nasceu a filha da Rainha das Bruxas. O céu brilhava com a aurora mágica feita pelas Minnor Círonör. Eram feixes multicoloridos que começavam como um enorme rio roxo e desfaziam-se lentamente formando riachos de todas as cores que alguém conseguiria imaginar, e estes desapareciam para dar lugar ao mesmo processo.
Na terra o som vívido dos cascos de cavalos e das rodas das carruagens durante toda tarde e até o alvorecer laranja tomavam conta da estrada (ou veia, como são chamadas as estradas Modridenhas) que levava ao Palácio Eterno. E como estava movimentada!
Representantes de quase todas as Grandes Raças tinham vindo para ver a criança. Era de se esperar que um evento tão importante como esse causasse todo esse reboliço. Era o ano 986 da Quinta Era de Modred e o início da primavera nas Terras de Colinas, de onde vinha a maior parte dos nobres.
Mas as Terras Outonais não conhecem a primavera. Ao redor do grande Palácio e ao longo de milhas e milhas se estendia a grande Floresta Chamuscada, tinha esse nome porque aquele lugar vivia num constante outono, as folhas sempre aparentavam estar secas e sob a serena luz do pôr do sol as árvores e até o chão pareciam estar em chamas. Alguém que a visse pela primeira vez imaginaria que um vento forte certamente levaria todas as folhas das árvores num piscar de olhos. Mas é certo que tal pessoa com esse pensamento não conhece o Lar das Bruxas. Esse simples comentário poderia causar risos naquela parte do mundo. Tolo! Certamente seria chamado.
Milênio após milênio, catástrofe após catástrofe e ela ainda continuava ali, tão firme e bela como sempre foi.
Naquela noite havia canto e animação na velha floresta, afinal de contas, as árvores e folhas não serviam somente para marcar o território das Bruxas. Era um lugar habitado por muitos seres, e quando digo muitos dê-me crédito porque são realmente MUITOS.
E estes muitos habitantes estavam realmente alegres com o nascimento, uma nova futura rainha havia nascido e aquilo significava que passariam outra geração protegidos pelas Bruxas. Os poucos elfos que moravam naquele lugar tocavam músicas animadas em suas flautas cuidadosamente esculpidas, os duendes assoviavam melodias maravilhosas e havia quem achasse que o som vinha dos canários na copa das árvores. E os Everduins (Pequenas criaturas amareladas que vestiam folhas e voavam com asas de beija-flor que eram muito gentis) cantavam com suas belas vozes ao longo da estrada.
Que belo presente a vida nos deu,
Uma nova rainha agora nasceu!
A aurora anuncia que chegou o dia
Momento de alegria, uma nova família!
E o palácio Eterno brilhou! Hooo!
A garotinha chegou! Heee!
O reino se animou e todos vieram ver,
Que os deuses a guardem e a deixem crescer,
Que protejam sua vida e que venha a vencer,
Que o mal não a tome e não a machuque,
Seja forte e justa a Rainha das Bruxas
Era uma das muitas músicas que cantavam, os ouvintes nas carruagens batiam palmas e ocasionalmente até jogavam flores em agradecimento pelas canções, os pequeninos as agarravam no ar e gritavam Mithar! Que na língua Delondren, um antigo idioma Modridenho, significa obrigado.
Nas clareiras ao longo da floresta grandes fogueiras brilhavam como estrelas brilham no céu. Ao redor delas os espíritos da floresta dançavam animados e despreocupados. Eram pequenos serezinhos cujo corpo era feito de madeira e envolta dele folhas ficavam constantemente girando. Numa dessas muitas clareiras estava Bior e Juncan, dois garotinhos. Bior era um duende, seu nariz era curvo e suas orelhas pontudas como a ponta de um garfo, só que bem mais grossas, é claro!
Juncan era um garotinho magricela muito esperto para sua idade. Pertencia a espécie das fadas, mas espere um momento! Não é nada do que estão imaginando! Ele não era minúsculo, não tinha asinhas e nem mesmo soltava pó de fada. Na verdade as fadas são muito parecidas com os humanos, arrisco afirmar que são quase idênticos, talvez você seja uma fada e não sabe! Mas existem algumas peculiaridades que podem te ajudar a identificar uma fada como, por exemplo: fadas possuem uma resistência muito mais efetiva contra quedas e algumas delas até podem manipular elementos. Seus olhos podem ser amarelos e até dourados. Porém, se tratando de aparência física, fadas e homens são idênticos.
Vamos voltar então ao início de nossa pequena aventura.
Bior e Juncan costumavam brincar juntos, a Floresta Chamuscada era um lugar vasto, cheio de cavernas, lagos e para crianças curiosas (Oque era o caso dos dois) um pote cheio de aventuras.
– Bior! Olha só oque eu encontrei aqui! – Gritou a pequena fada com animação.
– Estou indo! – Indagou Bior. – Vamos mãe, por que eu preciso me vestir assim?! – Perguntou o garoto.
– Porque a apresentação da nova rainha será ao amanhecer e todos estarão lá. – Falou Biriã, a mãe de Bior. – Não vá sujar sua roupa, certo? – Pediu a mulher dando uma última penteada nos cabelos ruivos de Bior. O garoto concordou freneticamente e logo que sua mãe o liberou ele correu pela clareira passando pelos elfos flautistas e anões tocadores de tambor até chegar ao amigo Juncan. A fada estava espiando algo atrás de um arbusto.
– Juncan, me desculpe, minha mãe insistiu para que eu arrumasse o meu cabelo e... – O duende foi interrompido.
–Psiu! Veja só os... Que roupa é essa Bior?! – Perguntou Juncan virando-se para o amigo, a fada tentou segurar o riso.
– Minha mãe me obrigou a vestir isso! Eu sei que estou ridículo nesta roupa. – Lamentou com verdadeira tristeza na voz. Vestia um traje que mais lembrava um vestido, repleto de babados. Babados na gola, babados nas mangas, babados até mesmo envolta dos botões e por deus! Babados nos babados!
– Você está horrível! – Zombou o amigo. – Mas isso não importa, olha só oque eu encontrei. – Juncan virou-se outra vez para onde olhava anteriormente. Bior abaixou-se para poder espiar.
– Vagalumes! Um monte deles! – Falou enchendo-se de excitação.
Deixe-me explicar, vagalumes no Sul não são algo comum, só aparecem em ocasiões realmente especiais, carregam consigo um dos ingredientes necessários para fazer uma poção de invisibilidade, qualquer um ficaria rico vendendo somente uma dessas poções. A essência brilhante de um vagalume era o ingrediente mais raro e ali, diante daqueles dois, estava uma porção deles.
– Acha que conseguimos pegar um? – Perguntou Juncan deixando um sorriso esperto e entusiasmado surgir nos lábios.
– Não custa tentar, não é verdade? – Bior falou. A fada e o duende se olharam e chegaram num um silencioso consenso. Os dois rodearam o arbusto saindo da clareira tentando ao máximo serem silenciosos para que os vagalumes não os notassem. Os adultos não iriam perceber se os garotos ficassem apenas um curto período de tempo fora da vista, estavam muito ocupados conversando, contando piadas e comendo ao redor da fogueira.
Juncan piscou para Bior, o duende esperava agarrar um dos vagalumes assim que a fada os afugentassem, não estava muito interessado nos rellis (a ganancia era algo muito incomum naquelas terras fartas), só queria ver uma daquelas criaturas de perto. Toda boa história de Modred acabava com os vagalumes voando, das histórias sobre grandes batalhas até sobre lendários heróis como Viern Goldflair.
– Agora! – Falou a fada correndo na direção dos brilhantes vagalumes, porém, mais que rapidamente cada um deles voou para um lado diferente e em poucos minutos restava somente um, brilhando esverdeado em meio ás árvores logo á frente.
– Eles são muito rápidos! – Queixou-se o duende, suas mãos estavam erguidas para o alto, seus punhos cerrados após uma inútil tentativa de agarrar um deles.
– Você que é muito lento! Vamos, ainda restou um deles. – Chamou Juncan caminhando cada vez mais fundo na floresta. O pequeno vagalume estava se distanciando, sua luzinha fraca quase desaparecia em meio aos carvalhos e abetos.
– Desista! Olhe só pra onde ele está indo. – Bior disse com descontentamento na voz.
– Eu não tenho medo do Chão Vermelho! – Contrapôs á fada. – Eu já estive lá uma centena de vezes, é floresta assim como todo o resto. – Dito isso Juncan iniciou sua caminhada na direção do pequeno inseto, porém, andava lentamente, esperançoso de que o amigo decidisse o acompanhar. Eu não sei se podemos chamar fadas de valentes ou tolas, talvez sejam as duas coisas. No lugar daquele rapaz eu teria dado a volta imediatamente, e se vocês tivessem ouvido metade das coisas que eu ouvi sobre a parte da floresta chamada de Chão Vermelho e suas noites também não teriam coragem de ir, não desprotegidos e no escuro.
– Mesmo assim, não devíamos ficar tanto tempo longe dos adultos, ficarão preocupados e então tomaremos uma bronca. Vamos voltar, deixe o vagalume em paz. – O duende virou-se novamente para a direção da clareira, a música estava alta e divertida e todos riam de piadas que o pequeno Bior não entendia direito.
– Bem, se minha mãe perguntar onde estou, diga a ela que fui caçar vagalumes. SOZINHO! – Indagou a fada dando ênfase á última palavra, não estava realmente disposto a explorar aquele lugar, não só. Mas aquele vagalume solitário era tão bonito e atraente, algo novo e muito famoso, poderia mostrar o bichinho para todos e eles perguntariam e ficariam admirados.
– Juncan, vamos voltar para a clareira! – Pediu Bior num tom de súplica. – Esqueça esse vagalume.
– Eu não estou te ouvindo Bior, porque não vem aqui e me diz? – A fada mentiu. O pobre duende correu para alcançar o amigo.
– Não estou gostando nada dessa ideia! Nossos pais ficarão furiosos se descobrirem. – Disse o pequeno Bior cheio de temor.
– Não se preocupe tanto! Voltaremos antes que possa dizer o nome da nova princesa. – Garantiu Juncan.
– Veronica. – Disse Bior e pouco depois se prontificou a seguir o amigo para o interior da floresta.
Há medida que os dois caminhavam os sons da clareira ficavam cada vez mais distantes e baixos, até que desapareceram.
– Você já consegue vê-lo? – Perguntou o duende.
– Eu o perdi de vista quando entramos no limite do Chão Vermelho. – Falou a fada num tom de descontentamento.
– É uma pena, agora vamos voltar. – Pediu Bior num tom suplicante. – este lugar é ainda mais assustador á noite. –
De fato, a luz da lua mal penetrava pelas brechas nas folhas tornando o lugar escuro.
– Você parece ser tão frágil quanto uma folha seca! Tenha um pouco mais de coragem. – Rosnou Juncan que estava começando a se cansar dos constantes pedidos feitos pelo duende. E então de dentro da floresta galhos estalaram.
– Oque foi isso? – Perguntou o duende dando passos para trás até tropeçar numa enorme raiz de carvalho que saia do chão e se estatelar nas folhas vermelhas que cobriam a terra.
– Não deve ser nada. – A fada disse, não havia mexido um único musculo, estava apavorado demais para fazer qualquer coisa.
Os passos foram ficando mais nítidos e com surpreendente rapidez e antes mesmo que Bior pudesse se levantar uma nova silhueta se destacou na fraca luz do luar, seu manto era tão escuro que chegava a se misturar com a escuridão da noite. Sua presença trouxe algo estranho, uma inconfundível aura de terror e maldade.
– Q-quem é você?! – Juncan conseguiu perguntar mesmo que as palavras saíssem como uma lâmina cortante de sua garganta, tamanho era seu medo.
– Quem... Sou eu? – A voz da criatura era fria e estridente, como se algo lhe engasgasse.
Bior tentou levantar-se, porém seus esforços foram inúteis, suas pernas simplesmente não se mexiam e mesmo que quisesse sair dali o mais rápido possível seu corpo se recusava a obedecer.
– O que você fará conosco? – Perguntou a fada rogando silenciosamente para que a resposta fosse melhor do que a sensação que a criatura proporcionava.
– Eu... Eu sou... – O ser continuava a repetir sucessivas vezes, Bior notou que a mão do encapuzado (no lugar de unhas se encontravam garras) se fechava ao redor do cabo de uma espada que o duende jurava não estar ali á um segundo, aquilo era definitivamente um péssimo sinal.
– Juncan, corre! – Bior gritou, finalmente conseguiu dizer alguma coisa.
– Eu... Eu me lembrei de quem eu sou. – Ele disse por fim erguendo a espada com a mão direita, havia algo escrito nela, símbolos de um idioma que nenhum deles conhecia, o Derondren, tão antigo quanto o Delondren. – Ele espera seu sacrifício, eu sou aquele que ceifa, meu sangue é prata e meu coração é feito da perturbação das almas. – Aquelas palavras foram tão perturbadoras que quase fizeram os corações de Bior e Juncan explodirem. A fada queria correr, desejava ter ouvido o amigo quando teve a chance. Agora era tarde, a criatura caminhava na direção de Juncan, a espada na mão, ele continuava a falar coisas num idioma aparentemente incompressível, a fada viu um vagalume passar voando enquanto o encapuzado se aproximava. Tudo foi tão rápido, a criatura realizou um rápido movimento com a lâmina e no minuto seguinte Juncan sentiu o corte na pele e gotas de sangue pairaram pelo ar. Bior queria gritar, mas todo seu folego estava preso, os pulmões do duende estavam a ponto de explodir. Onde anteriormente se encontrava Juncan agora duas espadas se cruzavam, a criatura media forças com um homem de capa branca, sua espada brilhava com um azul gélido, afinal, ela era feita de gelo.
– Parece que seu nariz continua funcionando muito bem Vix. – Disse o homem de capa branca partindo para cima do encapuzado, era rápido.
– Você sempre me subestima! – Indagou uma vozinha aguda de algum lugar próximo do espadachim branco.
– A idade chega para todos, meu pequeno companheiro. – Falou o homem bloqueando uma investida do oponente negro, que parecia nervoso.
– Eu não vou ouvir algo assim vindo de você. – Contrapôs a vozinha.
– Caçador! – Rosnou a criatura de capuz tentando outra série de ataques, porém sempre que conseguia quebrar a espada de gelo o homem da capa branca criava outra ainda mais resistente.
– Prefiro ser chamado de Associado, é o termo mais correto. – Corrigiu o homem defendendo outro golpe, desta vez porém, foi mais agressivo invocando outra lâmina de gelo na mão esquerda e desferindo um violento golpe contra o estomago da criatura, o que em circunstâncias normais deveria mata-la ou causar-lhe dor suficiente para que fosse incapaz de prosseguir o combate, mas nada disso aconteceu.
– Por que interferes na vontade do senhor? Filho de Urrugar o Frio. – Perguntou a criatura dando alguns passos para trás, mantinha sua espada pronta á outra batalha.
– Me surpreende que meu ataque não tenha causado nada em ti. – O homem também recuou alguns passos para trás desfazendo uma de suas espadas para que pudesse estender a mão á Juncan que havia sido empurrado logo que o duelo começou, a criança tinha um belo corte na bochecha onde a lâmina passará.
– Nem lâmina e nem fogo podem me ferir, feito de ganância é meu corpo e da dor de muitas lágrimas são meus olhos. – O encapuzado olhou para o céu.
– Esta noite você não tomará nenhuma vida, volte ao seu túmulo. – Ordenou a homem.
– Em breve não poderá mais evitar mortes, se aproxima o tempo em que o Escolhido enfim retornará á seu trono, alguém que nem mesmo tu, Coração de Gelo, poderá impedir. – A voz da criatura, embora estridente, transpassava notas de prazer ao falar sobre o Escolhido.
– Não cabe á mim impedir. Seu Escolhido também tem razões para temer. – O homem fez desaparecer sua outra espada e ali, naquele lugar, a criatura começou a se desfazer como areia levada pelo vento. Por um instante fez-se silêncio.
– Já pode se levantar. – Disse a vozinha bem próxima de Bior. – Ele já se foi.
– Tiveram muita sorte, alguns segundos de atraso e o pequenino aqui teria tido problemas. – O homem colocou a mão sobre a cabeça de Juncan, ele sorria como nada tivesse acontecido.
– Me pergunto o que crianças estavam fazendo no Chão Vermelho á esta hora da noite. – Indagou a vozinha que agora, todos viam de quem vinha. Uma chinchila tagarela.
– Vix, seja educada. – Advertiu o homem de capa branca caminhando até Juncan que se encontrava num estado de paralisia. – Hey garoto! Você está bem?– O caçador branco parou em frente ao garoto. – O que houve com ele? – Perguntou para ninguém em especial.
– Talvez esteja assustado. – Sugeriu a Chinchila.
– Por que estaria? Ele já se foi. Hey garoto, mostre alguma reação. – O homem cutucou o nariz da fada, mas não houve reação por parte de Juncan.
– C-com licença. – Bior forçou-se a dizer e mais que rapidamente quase todas as atenções se voltaram a ele.
– Olá! Eu não tinha te visto aí. – O homem falava com tamanha descontração que o duende até relutava em crer que acabará de derrotar um ser terrivelmente assustador.
– Você... Essa capa branca, a o gelo de sua espada, você é... – Bior foi interrompido.
–Eroên Ennir! Senhor de Palácio Gelado e líder da Associação NuncaAfundada. – Anunciou a Chinchila alegoricamente. – E eu sou Vixerion, a lendária e destemida Chinchila! – O animalzinho disse a ultima parte num tom bastante orgulhoso.
– Não me lembro de histórias onde lendária e destemida são atribuídas á você, Vix. – Indagou Eroên.
Pouparei explicações longas, eu poderia falar sobre Eroên Ennir por tanto tempo que isso se transformaria num enorme livro, digo então para aqueles que estão perdidos, Coração de Gelo (O apelido de Ennir) faz jus ao lugar que vive, ele é uma verdadeira lenda!
– Não é sábio que crianças fiquem vagueando a noite, ainda mais num lugar perigoso como esse. – Disse Coração de Gelo.
– Eu sei! Nós estávamos prestes a voltar quando aquela coisa... Espere um minuto, oque era aquilo? – Bior então se deu conta de que nunca havia ouvido histórias sobre algo capaz de sobreviver á um golpe relativamente fatal, ainda mais um realizado por Eroên.
– Essa é uma pergunta que receio não poder responder. Tal criatura obscura... – Ennir e Vix trocaram olhares frios por alguns poucos segundos.
– O Juncan... Como ele está? – Perguntou Bior tentando quebrar o momento gelado.
– Seu amigo ficará bem. Acho que já está na hora de ir, pequeno duende. – Falou o caçador branco por fim tomando a fada nos braços. – Indique-nos o caminho de volta.
– Certo! – Concordou Bior.
Assim então finalmente partiram rumo á clareira, Juncan ainda paralisado de medo, havia constatado que há uma lição a ser tirada de tudo aquilo: desobedecer os pais não é uma boa ideia, ainda mais num lugar como Modred.
Apêndice
Minnor Círonör: Do idioma Delondren, significa Dama(s) Cinzenta(s). São responsáveis por anunciar o nascimento de uma Minnor Mihai. São chamadas de Damas Cinzentas porque convocam a aurora roxa das Bruxas no alto de doze torres cinzentas que cercam o Palácio Eterno.
Palácio Eterno: A construção mais antiga de Modred, seu primeiro nome foi Garthier. Datada dos primeiros anos da Primeira Era de Modred, estima-se que exista há 15.800 anos. Feita com pedras acinzentadas e ferro. As Bruxas são oficialmente senhoras de Palácio Eterno desde o ano 2 da Segunda Era. É um lugar colossal construído numa colina de pedras há 70 metros do nível do mar. Possui uma única veia de acesso além de doze torres de planta quadrada e cilíndrica, em sua estrutura também há guaritas para que as Bruxas lancem feitiços. Seu interior possui doze salões além de uma gigantesca sala onde se encontra a Mesa dos Primeiros. Guarda também 478 aposentos para as Bruxas e para os pouquíssimos visitantes.
Terras de Colinas: Como é chamada a região onde o Alto Rei do Sul domina.
Lar de Bruxas: Outro nome para as Terras Outonais. Podem ser chamadas de Terras Roxas também.
Viern Goldflair: Grande herói da Segunda Era de Modred. Patriarca da família Goldflair e senhor da espada Pordúran.
Caçador: Alcunha dada há um membro de Associação.
Urrugar o Frio: Pai de Eroên e antigo senhor das Terras do Colo Gelado.
Na terra o som vívido dos cascos de cavalos e das rodas das carruagens durante toda tarde e até o alvorecer laranja tomavam conta da estrada (ou veia, como são chamadas as estradas Modridenhas) que levava ao Palácio Eterno. E como estava movimentada!
Representantes de quase todas as Grandes Raças tinham vindo para ver a criança. Era de se esperar que um evento tão importante como esse causasse todo esse reboliço. Era o ano 986 da Quinta Era de Modred e o início da primavera nas Terras de Colinas, de onde vinha a maior parte dos nobres.
Mas as Terras Outonais não conhecem a primavera. Ao redor do grande Palácio e ao longo de milhas e milhas se estendia a grande Floresta Chamuscada, tinha esse nome porque aquele lugar vivia num constante outono, as folhas sempre aparentavam estar secas e sob a serena luz do pôr do sol as árvores e até o chão pareciam estar em chamas. Alguém que a visse pela primeira vez imaginaria que um vento forte certamente levaria todas as folhas das árvores num piscar de olhos. Mas é certo que tal pessoa com esse pensamento não conhece o Lar das Bruxas. Esse simples comentário poderia causar risos naquela parte do mundo. Tolo! Certamente seria chamado.
Milênio após milênio, catástrofe após catástrofe e ela ainda continuava ali, tão firme e bela como sempre foi.
Naquela noite havia canto e animação na velha floresta, afinal de contas, as árvores e folhas não serviam somente para marcar o território das Bruxas. Era um lugar habitado por muitos seres, e quando digo muitos dê-me crédito porque são realmente MUITOS.
E estes muitos habitantes estavam realmente alegres com o nascimento, uma nova futura rainha havia nascido e aquilo significava que passariam outra geração protegidos pelas Bruxas. Os poucos elfos que moravam naquele lugar tocavam músicas animadas em suas flautas cuidadosamente esculpidas, os duendes assoviavam melodias maravilhosas e havia quem achasse que o som vinha dos canários na copa das árvores. E os Everduins (Pequenas criaturas amareladas que vestiam folhas e voavam com asas de beija-flor que eram muito gentis) cantavam com suas belas vozes ao longo da estrada.
Que belo presente a vida nos deu,
Uma nova rainha agora nasceu!
A aurora anuncia que chegou o dia
Momento de alegria, uma nova família!
E o palácio Eterno brilhou! Hooo!
A garotinha chegou! Heee!
O reino se animou e todos vieram ver,
Que os deuses a guardem e a deixem crescer,
Que protejam sua vida e que venha a vencer,
Que o mal não a tome e não a machuque,
Seja forte e justa a Rainha das Bruxas
Era uma das muitas músicas que cantavam, os ouvintes nas carruagens batiam palmas e ocasionalmente até jogavam flores em agradecimento pelas canções, os pequeninos as agarravam no ar e gritavam Mithar! Que na língua Delondren, um antigo idioma Modridenho, significa obrigado.
Nas clareiras ao longo da floresta grandes fogueiras brilhavam como estrelas brilham no céu. Ao redor delas os espíritos da floresta dançavam animados e despreocupados. Eram pequenos serezinhos cujo corpo era feito de madeira e envolta dele folhas ficavam constantemente girando. Numa dessas muitas clareiras estava Bior e Juncan, dois garotinhos. Bior era um duende, seu nariz era curvo e suas orelhas pontudas como a ponta de um garfo, só que bem mais grossas, é claro!
Juncan era um garotinho magricela muito esperto para sua idade. Pertencia a espécie das fadas, mas espere um momento! Não é nada do que estão imaginando! Ele não era minúsculo, não tinha asinhas e nem mesmo soltava pó de fada. Na verdade as fadas são muito parecidas com os humanos, arrisco afirmar que são quase idênticos, talvez você seja uma fada e não sabe! Mas existem algumas peculiaridades que podem te ajudar a identificar uma fada como, por exemplo: fadas possuem uma resistência muito mais efetiva contra quedas e algumas delas até podem manipular elementos. Seus olhos podem ser amarelos e até dourados. Porém, se tratando de aparência física, fadas e homens são idênticos.
Vamos voltar então ao início de nossa pequena aventura.
Bior e Juncan costumavam brincar juntos, a Floresta Chamuscada era um lugar vasto, cheio de cavernas, lagos e para crianças curiosas (Oque era o caso dos dois) um pote cheio de aventuras.
– Bior! Olha só oque eu encontrei aqui! – Gritou a pequena fada com animação.
– Estou indo! – Indagou Bior. – Vamos mãe, por que eu preciso me vestir assim?! – Perguntou o garoto.
– Porque a apresentação da nova rainha será ao amanhecer e todos estarão lá. – Falou Biriã, a mãe de Bior. – Não vá sujar sua roupa, certo? – Pediu a mulher dando uma última penteada nos cabelos ruivos de Bior. O garoto concordou freneticamente e logo que sua mãe o liberou ele correu pela clareira passando pelos elfos flautistas e anões tocadores de tambor até chegar ao amigo Juncan. A fada estava espiando algo atrás de um arbusto.
– Juncan, me desculpe, minha mãe insistiu para que eu arrumasse o meu cabelo e... – O duende foi interrompido.
–Psiu! Veja só os... Que roupa é essa Bior?! – Perguntou Juncan virando-se para o amigo, a fada tentou segurar o riso.
– Minha mãe me obrigou a vestir isso! Eu sei que estou ridículo nesta roupa. – Lamentou com verdadeira tristeza na voz. Vestia um traje que mais lembrava um vestido, repleto de babados. Babados na gola, babados nas mangas, babados até mesmo envolta dos botões e por deus! Babados nos babados!
– Você está horrível! – Zombou o amigo. – Mas isso não importa, olha só oque eu encontrei. – Juncan virou-se outra vez para onde olhava anteriormente. Bior abaixou-se para poder espiar.
– Vagalumes! Um monte deles! – Falou enchendo-se de excitação.
Deixe-me explicar, vagalumes no Sul não são algo comum, só aparecem em ocasiões realmente especiais, carregam consigo um dos ingredientes necessários para fazer uma poção de invisibilidade, qualquer um ficaria rico vendendo somente uma dessas poções. A essência brilhante de um vagalume era o ingrediente mais raro e ali, diante daqueles dois, estava uma porção deles.
– Acha que conseguimos pegar um? – Perguntou Juncan deixando um sorriso esperto e entusiasmado surgir nos lábios.
– Não custa tentar, não é verdade? – Bior falou. A fada e o duende se olharam e chegaram num um silencioso consenso. Os dois rodearam o arbusto saindo da clareira tentando ao máximo serem silenciosos para que os vagalumes não os notassem. Os adultos não iriam perceber se os garotos ficassem apenas um curto período de tempo fora da vista, estavam muito ocupados conversando, contando piadas e comendo ao redor da fogueira.
Juncan piscou para Bior, o duende esperava agarrar um dos vagalumes assim que a fada os afugentassem, não estava muito interessado nos rellis (a ganancia era algo muito incomum naquelas terras fartas), só queria ver uma daquelas criaturas de perto. Toda boa história de Modred acabava com os vagalumes voando, das histórias sobre grandes batalhas até sobre lendários heróis como Viern Goldflair.
– Agora! – Falou a fada correndo na direção dos brilhantes vagalumes, porém, mais que rapidamente cada um deles voou para um lado diferente e em poucos minutos restava somente um, brilhando esverdeado em meio ás árvores logo á frente.
– Eles são muito rápidos! – Queixou-se o duende, suas mãos estavam erguidas para o alto, seus punhos cerrados após uma inútil tentativa de agarrar um deles.
– Você que é muito lento! Vamos, ainda restou um deles. – Chamou Juncan caminhando cada vez mais fundo na floresta. O pequeno vagalume estava se distanciando, sua luzinha fraca quase desaparecia em meio aos carvalhos e abetos.
– Desista! Olhe só pra onde ele está indo. – Bior disse com descontentamento na voz.
– Eu não tenho medo do Chão Vermelho! – Contrapôs á fada. – Eu já estive lá uma centena de vezes, é floresta assim como todo o resto. – Dito isso Juncan iniciou sua caminhada na direção do pequeno inseto, porém, andava lentamente, esperançoso de que o amigo decidisse o acompanhar. Eu não sei se podemos chamar fadas de valentes ou tolas, talvez sejam as duas coisas. No lugar daquele rapaz eu teria dado a volta imediatamente, e se vocês tivessem ouvido metade das coisas que eu ouvi sobre a parte da floresta chamada de Chão Vermelho e suas noites também não teriam coragem de ir, não desprotegidos e no escuro.
– Mesmo assim, não devíamos ficar tanto tempo longe dos adultos, ficarão preocupados e então tomaremos uma bronca. Vamos voltar, deixe o vagalume em paz. – O duende virou-se novamente para a direção da clareira, a música estava alta e divertida e todos riam de piadas que o pequeno Bior não entendia direito.
– Bem, se minha mãe perguntar onde estou, diga a ela que fui caçar vagalumes. SOZINHO! – Indagou a fada dando ênfase á última palavra, não estava realmente disposto a explorar aquele lugar, não só. Mas aquele vagalume solitário era tão bonito e atraente, algo novo e muito famoso, poderia mostrar o bichinho para todos e eles perguntariam e ficariam admirados.
– Juncan, vamos voltar para a clareira! – Pediu Bior num tom de súplica. – Esqueça esse vagalume.
– Eu não estou te ouvindo Bior, porque não vem aqui e me diz? – A fada mentiu. O pobre duende correu para alcançar o amigo.
– Não estou gostando nada dessa ideia! Nossos pais ficarão furiosos se descobrirem. – Disse o pequeno Bior cheio de temor.
– Não se preocupe tanto! Voltaremos antes que possa dizer o nome da nova princesa. – Garantiu Juncan.
– Veronica. – Disse Bior e pouco depois se prontificou a seguir o amigo para o interior da floresta.
Há medida que os dois caminhavam os sons da clareira ficavam cada vez mais distantes e baixos, até que desapareceram.
– Você já consegue vê-lo? – Perguntou o duende.
– Eu o perdi de vista quando entramos no limite do Chão Vermelho. – Falou a fada num tom de descontentamento.
– É uma pena, agora vamos voltar. – Pediu Bior num tom suplicante. – este lugar é ainda mais assustador á noite. –
De fato, a luz da lua mal penetrava pelas brechas nas folhas tornando o lugar escuro.
– Você parece ser tão frágil quanto uma folha seca! Tenha um pouco mais de coragem. – Rosnou Juncan que estava começando a se cansar dos constantes pedidos feitos pelo duende. E então de dentro da floresta galhos estalaram.
– Oque foi isso? – Perguntou o duende dando passos para trás até tropeçar numa enorme raiz de carvalho que saia do chão e se estatelar nas folhas vermelhas que cobriam a terra.
– Não deve ser nada. – A fada disse, não havia mexido um único musculo, estava apavorado demais para fazer qualquer coisa.
Os passos foram ficando mais nítidos e com surpreendente rapidez e antes mesmo que Bior pudesse se levantar uma nova silhueta se destacou na fraca luz do luar, seu manto era tão escuro que chegava a se misturar com a escuridão da noite. Sua presença trouxe algo estranho, uma inconfundível aura de terror e maldade.
– Q-quem é você?! – Juncan conseguiu perguntar mesmo que as palavras saíssem como uma lâmina cortante de sua garganta, tamanho era seu medo.
– Quem... Sou eu? – A voz da criatura era fria e estridente, como se algo lhe engasgasse.
Bior tentou levantar-se, porém seus esforços foram inúteis, suas pernas simplesmente não se mexiam e mesmo que quisesse sair dali o mais rápido possível seu corpo se recusava a obedecer.
– O que você fará conosco? – Perguntou a fada rogando silenciosamente para que a resposta fosse melhor do que a sensação que a criatura proporcionava.
– Eu... Eu sou... – O ser continuava a repetir sucessivas vezes, Bior notou que a mão do encapuzado (no lugar de unhas se encontravam garras) se fechava ao redor do cabo de uma espada que o duende jurava não estar ali á um segundo, aquilo era definitivamente um péssimo sinal.
– Juncan, corre! – Bior gritou, finalmente conseguiu dizer alguma coisa.
– Eu... Eu me lembrei de quem eu sou. – Ele disse por fim erguendo a espada com a mão direita, havia algo escrito nela, símbolos de um idioma que nenhum deles conhecia, o Derondren, tão antigo quanto o Delondren. – Ele espera seu sacrifício, eu sou aquele que ceifa, meu sangue é prata e meu coração é feito da perturbação das almas. – Aquelas palavras foram tão perturbadoras que quase fizeram os corações de Bior e Juncan explodirem. A fada queria correr, desejava ter ouvido o amigo quando teve a chance. Agora era tarde, a criatura caminhava na direção de Juncan, a espada na mão, ele continuava a falar coisas num idioma aparentemente incompressível, a fada viu um vagalume passar voando enquanto o encapuzado se aproximava. Tudo foi tão rápido, a criatura realizou um rápido movimento com a lâmina e no minuto seguinte Juncan sentiu o corte na pele e gotas de sangue pairaram pelo ar. Bior queria gritar, mas todo seu folego estava preso, os pulmões do duende estavam a ponto de explodir. Onde anteriormente se encontrava Juncan agora duas espadas se cruzavam, a criatura media forças com um homem de capa branca, sua espada brilhava com um azul gélido, afinal, ela era feita de gelo.
– Parece que seu nariz continua funcionando muito bem Vix. – Disse o homem de capa branca partindo para cima do encapuzado, era rápido.
– Você sempre me subestima! – Indagou uma vozinha aguda de algum lugar próximo do espadachim branco.
– A idade chega para todos, meu pequeno companheiro. – Falou o homem bloqueando uma investida do oponente negro, que parecia nervoso.
– Eu não vou ouvir algo assim vindo de você. – Contrapôs a vozinha.
– Caçador! – Rosnou a criatura de capuz tentando outra série de ataques, porém sempre que conseguia quebrar a espada de gelo o homem da capa branca criava outra ainda mais resistente.
– Prefiro ser chamado de Associado, é o termo mais correto. – Corrigiu o homem defendendo outro golpe, desta vez porém, foi mais agressivo invocando outra lâmina de gelo na mão esquerda e desferindo um violento golpe contra o estomago da criatura, o que em circunstâncias normais deveria mata-la ou causar-lhe dor suficiente para que fosse incapaz de prosseguir o combate, mas nada disso aconteceu.
– Por que interferes na vontade do senhor? Filho de Urrugar o Frio. – Perguntou a criatura dando alguns passos para trás, mantinha sua espada pronta á outra batalha.
– Me surpreende que meu ataque não tenha causado nada em ti. – O homem também recuou alguns passos para trás desfazendo uma de suas espadas para que pudesse estender a mão á Juncan que havia sido empurrado logo que o duelo começou, a criança tinha um belo corte na bochecha onde a lâmina passará.
– Nem lâmina e nem fogo podem me ferir, feito de ganância é meu corpo e da dor de muitas lágrimas são meus olhos. – O encapuzado olhou para o céu.
– Esta noite você não tomará nenhuma vida, volte ao seu túmulo. – Ordenou a homem.
– Em breve não poderá mais evitar mortes, se aproxima o tempo em que o Escolhido enfim retornará á seu trono, alguém que nem mesmo tu, Coração de Gelo, poderá impedir. – A voz da criatura, embora estridente, transpassava notas de prazer ao falar sobre o Escolhido.
– Não cabe á mim impedir. Seu Escolhido também tem razões para temer. – O homem fez desaparecer sua outra espada e ali, naquele lugar, a criatura começou a se desfazer como areia levada pelo vento. Por um instante fez-se silêncio.
– Já pode se levantar. – Disse a vozinha bem próxima de Bior. – Ele já se foi.
– Tiveram muita sorte, alguns segundos de atraso e o pequenino aqui teria tido problemas. – O homem colocou a mão sobre a cabeça de Juncan, ele sorria como nada tivesse acontecido.
– Me pergunto o que crianças estavam fazendo no Chão Vermelho á esta hora da noite. – Indagou a vozinha que agora, todos viam de quem vinha. Uma chinchila tagarela.
– Vix, seja educada. – Advertiu o homem de capa branca caminhando até Juncan que se encontrava num estado de paralisia. – Hey garoto! Você está bem?– O caçador branco parou em frente ao garoto. – O que houve com ele? – Perguntou para ninguém em especial.
– Talvez esteja assustado. – Sugeriu a Chinchila.
– Por que estaria? Ele já se foi. Hey garoto, mostre alguma reação. – O homem cutucou o nariz da fada, mas não houve reação por parte de Juncan.
– C-com licença. – Bior forçou-se a dizer e mais que rapidamente quase todas as atenções se voltaram a ele.
– Olá! Eu não tinha te visto aí. – O homem falava com tamanha descontração que o duende até relutava em crer que acabará de derrotar um ser terrivelmente assustador.
– Você... Essa capa branca, a o gelo de sua espada, você é... – Bior foi interrompido.
–Eroên Ennir! Senhor de Palácio Gelado e líder da Associação NuncaAfundada. – Anunciou a Chinchila alegoricamente. – E eu sou Vixerion, a lendária e destemida Chinchila! – O animalzinho disse a ultima parte num tom bastante orgulhoso.
– Não me lembro de histórias onde lendária e destemida são atribuídas á você, Vix. – Indagou Eroên.
Pouparei explicações longas, eu poderia falar sobre Eroên Ennir por tanto tempo que isso se transformaria num enorme livro, digo então para aqueles que estão perdidos, Coração de Gelo (O apelido de Ennir) faz jus ao lugar que vive, ele é uma verdadeira lenda!
– Não é sábio que crianças fiquem vagueando a noite, ainda mais num lugar perigoso como esse. – Disse Coração de Gelo.
– Eu sei! Nós estávamos prestes a voltar quando aquela coisa... Espere um minuto, oque era aquilo? – Bior então se deu conta de que nunca havia ouvido histórias sobre algo capaz de sobreviver á um golpe relativamente fatal, ainda mais um realizado por Eroên.
– Essa é uma pergunta que receio não poder responder. Tal criatura obscura... – Ennir e Vix trocaram olhares frios por alguns poucos segundos.
– O Juncan... Como ele está? – Perguntou Bior tentando quebrar o momento gelado.
– Seu amigo ficará bem. Acho que já está na hora de ir, pequeno duende. – Falou o caçador branco por fim tomando a fada nos braços. – Indique-nos o caminho de volta.
– Certo! – Concordou Bior.
Assim então finalmente partiram rumo á clareira, Juncan ainda paralisado de medo, havia constatado que há uma lição a ser tirada de tudo aquilo: desobedecer os pais não é uma boa ideia, ainda mais num lugar como Modred.
Apêndice
Minnor Círonör: Do idioma Delondren, significa Dama(s) Cinzenta(s). São responsáveis por anunciar o nascimento de uma Minnor Mihai. São chamadas de Damas Cinzentas porque convocam a aurora roxa das Bruxas no alto de doze torres cinzentas que cercam o Palácio Eterno.
Palácio Eterno: A construção mais antiga de Modred, seu primeiro nome foi Garthier. Datada dos primeiros anos da Primeira Era de Modred, estima-se que exista há 15.800 anos. Feita com pedras acinzentadas e ferro. As Bruxas são oficialmente senhoras de Palácio Eterno desde o ano 2 da Segunda Era. É um lugar colossal construído numa colina de pedras há 70 metros do nível do mar. Possui uma única veia de acesso além de doze torres de planta quadrada e cilíndrica, em sua estrutura também há guaritas para que as Bruxas lancem feitiços. Seu interior possui doze salões além de uma gigantesca sala onde se encontra a Mesa dos Primeiros. Guarda também 478 aposentos para as Bruxas e para os pouquíssimos visitantes.
Terras de Colinas: Como é chamada a região onde o Alto Rei do Sul domina.
Lar de Bruxas: Outro nome para as Terras Outonais. Podem ser chamadas de Terras Roxas também.
Viern Goldflair: Grande herói da Segunda Era de Modred. Patriarca da família Goldflair e senhor da espada Pordúran.
Caçador: Alcunha dada há um membro de Associação.
Urrugar o Frio: Pai de Eroên e antigo senhor das Terras do Colo Gelado.
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